|
Concluídas três primeiras etapas do campeonato, a percepção que fica é a de que certos pilotos começaram a temporada de 2010 com o “pé direito”, com caminhões competitivos e resultados satisfatórios. É o caso de Valmir Benavides, da Volkswagen, que manteve o ótimo desempenho obtido na maioria das etapas de 2009. Líder da competição, com 76 pontos conquistados, tanto ele quanto sua equipe admitem estarem surpreendidos com a performance dos caminhões neste início de campeonato. “Nas últimas provas do ano passado enfrentamos dificuldades, se não fosse a regularidade que mantivemos desde o início poderíamos até ter perdido o título”, comenta, referindo-se à conquista do bicampeonato pelo colega de equipe, Felipe Giaffone.
Este ano, o projeto é encarar todas as etapas da mesma maneira que fez em 2009, porém, com a diferença de estar com muito mais vontade de conquistar o seu primeiro título de campeão na categoria. Na temporada passada esteve bem perto, mas acabou ficando com o segundo lugar. “Amadureci muito nesse tempo. Estou me preparando psicologicamente para brigar por essa conquista e vou dar o melhor de mim em cada prova, para manter a regularidade”, garante. Em relação à próxima etapa, Benavides lembra que já realizou boas provas no local e que está animado para colocar em prática algumas modificações do caminhão. “A equipe encontrou soluções interessantes em Caruaru em relação à suspensão. Estamos com grandes expectativas”, afirma. Quanto aos seus principais adversários na disputa pelo título, ele destaca a equipe da Ford como muito competitiva, porém, cita também o desempenho de Roberval Andrade, Leandro Reis e, claro, Felipe Giaffone, que ocupa o segundo lugar na tabela de classificação, com 65 pontos. “A categoria está bastante nivelada, é difícil apontar um único adversário, têm muitos pilotos em condições de disputa, o Beto Monteiro, por exemplo, é um deles, pois está com caminhão bom e ainda pode surpreender”, conclui.
Outros pilotos que também se destacaram neste início de temporada foram o paranaense Diumar Bueno, da ABF Volvo, e o goiano Leandro Reis, da Original Reis Peças (Scania). Os dois estão entre os dez primeiros colocados no campeonato, dando sinais de que deixaram para trás a má fase vivida na maioria das provas no ano passado. “Sempre tive a minha equipe, mas hoje com o nível técnico atingido pela Fórmula Truck é importante poder dividir opiniões, custo e conhecimento em relação as novas tecnologias. Isso está me ajudando muito na pista”, afirma Bueno. O piloto acredita que faltam ainda alguns ajustes para o seu caminhão ficar realmente competitivo. Acrescenta que o apoio das montadoras é o principal diferencial das equipes de ponta e cita como exemplo o desempenho dos caminhões Volkswagen. “A falta de apoio técnico da fábrica deixa uma lacuna de acesso à tecnologia, e como consequência perdemos em potência e em desempenho na pista”, explica. Para a corrida em Campo Grande, traçado que considera misto, longo e com alguns fatores que dificultam a tração, Diumar quer repetir o desempenho das duas primeiras etapas deste ano e marcar pontos para se manter entre os 10 primeiros. “Estou mais confiante e acredito que este trabalho em equipe vai contribuir muito para eu atingir meus objetivos”, conclui.
Em situação oposta estão Wellington Cirino (da ABF Mercedes-Benz) e Beto Monteiro, (Scuderia Iveco), que até a terceira etapa não estavam ainda convencidos de que estão fazendo uma boa temporada. Cirino quer mais potência no seu caminhão, para poder tirar a vantagem de seus principais adversários; já Monteiro deseja apenas mais sorte e menos pedras no seu caminho, já que nas duas primeiras etapas do ano elas o tiraram da prova. Em Guaporé, uma parte do sistema hidráulico da direção foi atingida, enquanto no Rio de Janeiro quem sofreu o golpe foi a hélice de refrigeração do motor. “A falta de sorte tem sido um fator determinante para eu não estar entre os cinco primeiros na tabela do campeonato. O meu caminhão está com um bom acerto e bem competitivo. Em Caruaru larguei no último grupo e terminei em sexto”, exemplifica. Apesar do traçado de Campo Grande não estar entre os preferidos de Monteiro, ele acredita no potencial do caminhão e chegar a brincar, dizendo que se a “maré de azar” tiver ido embora ele deverá avançar na pontuação e sair da 13ª posição na tabela.
Cirino, por sua vez, apesar de ter pontuado nas três etapas e ocupar o terceiro lugar no campeonato, diz que seu caminhão precisa de mais potência para estar em condições de conquistar a pole position e vencer uma prova. A equipe, conforme adiantou, tem trabalhado bastante no sistema de transmissão, no posicionamento de motor e também na parte da suspensão. O objetivo é deixar seu Mercedes-Benz com a mesma configuração do truck de Geraldo Piquet, colega de equipe. “Estou confiante, que terei um equipamento bem mais competitivo e equilibrado em Campo Grande”, acredita. Caso suas previsões se confirmem, terá boas chances de sair da etapa com um bom resultado, principalmente por se tratar de um circuito que ele admite ser um dos seus favoritos. Um retrospecto de seu desempenho em Campo Grande mostra que ele já conquistou quatro pole position (2001, 2003, 2004 e 2008) e três vitórias (2001, 2003 e 2008). Cirino destaca também a importância de pontuar e se manter entre os primeiros nessa fase, e lembra que a partir da corrida em São Paulo (dia 25 de julho) o campeonato entrará na sua segunda metade e quem não estiver com o caminhão bem acertado corre o risco de ficar fora da disputa pelo título.
Publicação: 25/06/2010
|